Desde 2023, a prevenção de infartos e AVCs ganhou uma ferramenta nova, e em 2026 ela ganhou ainda mais peso. A calculadora PREVENT, desenvolvida pela American Heart Association (AHA), passou a fundamentar as diretrizes mais recentes para o tratamento do “colesterol alto”. O princípio é direto: o médico insere os dados clínicos e laboratoriais do paciente e obtém um número, o risco de um evento cardiovascular (infarto, por exemplo) nos próximos 10 anos.
Esse número se traduz assim:
Menos de 3% — baixo risco
3 a 4,9% — limítrofe
5 a 9,9% — intermediário
10% ou mais — alto risco
As diretrizes de 2026 trouxeram mudanças práticas relevantes. A calculadora PREVENT passa a ser o método padrão recomendado para estratificação de risco cardiovascular, substituindo modelos anteriores. As metas de LDL colesterol foram atualizadas e tornaram-se mais rigorosas, especialmente para pacientes de risco intermediário e alto. O arsenal terapêutico também se expandiu: além das estatinas, o uso de terapias complementares como ezetimiba e inibidores de PCSK9 está cada vez mais respaldado e indicado de forma combinada quando as metas não são atingidas isoladamente. O escore de cálcio coronário (obtido através de angiotomografia de coronárias) ganhou papel de destaque como ferramenta de refinamento do risco, sendo especialmente útil para decidir sobre o início de tratamento em pacientes na faixa limítrofe, onde a decisão clínica é mais difícil.
Mas um número nunca é uma sentença. O risco calculado reflete um momento, uma fotografia dos dados atuais do paciente. Obesidade, sedentarismo, tabagismo, hipertensão e diabetes são fatores modificáveis que aumentam esse risco e que, quando controlados, podem mudá-lo de forma significativa ao longo do tempo.
É por isso que o cálculo do risco cardiovascular não é um detalhe de consulta. É o ponto de partida obrigatório para qualquer decisão clínica em adultos. E ele não existe de forma isolada: exames como o escore de cálcio, o perfil lipídico completo com Lp(a), marcadores inflamatórios como a PCR ultrassensível e a avaliação funcional pelo teste ergométrico compõem, juntos, o mapa real do risco de um paciente. Nenhum desses elementos isoladamente contam a história completa.
Seu médico precisa saber o seu risco. Você também.



